O caso das advogadas que esconderam um comando invisível em uma petição para tentar influenciar sistemas de IA usados pela Justiça do Trabalho abriu discussões que vão além do Judiciário. Com a inteligência artificial cada vez mais presente em análises, recomendações e tomadas de decisão, profissionais de diferentes setores passaram a refletir sobre vulnerabilidades, limites e responsabilidades no uso dessas ferramentas. Veja alguns dos melhores comentários abaixo.
Segundo o g1, duas advogadas foram multadas em R$ 84,2 mil após esconderem, em uma petição enviada ao Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (PA/AP), um comando oculto que orientava o sistema a fazer uma leitura superficial do processo, sem contestar as provas apresentadas.
A técnica, conhecida como “prompt injection”, é usada para influenciar ou distorcer o comportamento de modelos de inteligência artificial por meio de comandos invisíveis a leitores humanos.
Para o engenheiro de software Raphael Martins, o caso lembra antigas tentativas de manipulação dos algoritmos de busca da internet. “Nos primórdios do SEO, o sujeito escondia palavras-chave em branco no fundo branco para enganar o Google”, escreveu em um post. Segundo ele, a diferença é que, desta vez, o impacto potencial envolve análises processuais e decisões críticas.
Raphael também destacou que o episódio revela um desafio que tende a se espalhar para diferentes profissões. “Toda profissão que começar a usar IA em fluxo crítico vai precisar aprender o básico de segurança, auditoria e responsabilidade”, afirmou. “IA lê contexto — e contexto pode ser contaminado.”
Já o advogado e especialista em proteção de dados Paulo Perrotti avalia que o problema pode atingir setores muito além do Direito. Segundo ele, técnicas semelhantes poderiam ser usadas futuramente em análises de crédito, seguros, saúde, recrutamento, contratos e atendimento ao consumidor.
“Sem controle, governança e segurança na utilização de inteligência artificial, qualquer organização pode ser vítima de viés ardiloso”, escreveu.
O caso também chama atenção para uma mudança importante na forma como profissionais passam a lidar com tecnologia. Se antes o debate sobre IA girava em torno de produtividade e automação, agora cresce a preocupação com manipulação, rastreabilidade, auditoria e confiança nos sistemas.